E-DICAS
publicado em 25/MAI/02; atualizado em 22/JUL/02
Clube da esquina virtual lança bonito livro, de papel mesmo
Parte da tchurma da web brasileira resolveu fazer um livro, editado pela Usina do Livro, com o apoio da Câmara-e.Net, a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico. É o primeiro de uma série e parece que já existe outro a caminho, para daqui alguns meses.
Fui correndo comprar, claro. Afinal, queria saber se alguém já estava me plagiando, hehe. Felizmente, ninguém entrou de sola nos assuntos que trato no meu Matriz, mas tem gente que passou bem perto. Aproveitei e apresentei meu estudo. Quem sabe a Câmara me publica também...
Este primeiro e-Dicas é assumidamente uma coletânea de players do mercado tupiniquim, reunidos para discutir se existe ou não uma “nova” economia. São 23 deles, organizados por Cid Torquato, diretor da Câmara. A entidade é composta por muitas das maiores empresas que de alguma forma estão envolvidas com o desenvolvimento da Internet no Brasil. É o lado rico da web: os players.
O que é um player? Para o livro, é o grupo de executivos, empresários, profissionais e/ou especialistas que nos últimos cinco anos ou dez anos esteve à frente de empresas ou entidades de cunho governamental de algum nome, porte ou importância, com atuação orientada à web.
O trabalho congrega a contribuição de alguns representantes realmente importantes na curta e longa da história da web no Brasil. Junta a opinião de outras pessoas que entraram no barco no momento certo, por estarem no lugar certo, pensando a coisa certa. Entram também alguns especialistas, principalmente no campo jurídico e técnico.
Vou logo avisando que adoraria estar ali. Faria um bem enorme para o ego, principalmente por ver minhas palavrinhas editadas num livro luxuoso, ainda mais com a competência da designer Camila Mesquita dando o tom da apresentação da obra. (Outro dia, fiquei bom tempo olhando várias capas feitas por ela, numa livraria; essa moça é um novo show no capismo brasileiro...pelo menos o capismo com verba.)
Além de fazer bem pro ego, se eu fosse um player meu saldo bancário iria ficar bem mais feliz, com certeza. E é nisso que reside uma das forças propulsoras da Internet.
Eu não sou um player. Mas posso me expressar para o país inteiro, sem necessitar do investimento certamente grande que é fazer um livro sofisticado.
Mantenho hoje mais de 350 pessoas cadastradas neste site, pessoas de todo o Brasil e algumas do exterior. Penso eu que elas fizeram este esforço porque têm algum interesse nos assuntos que trato aqui.
Posso, via o ferramental que a web e a informática me oferece, fomentar essas minhas idéias ao vento. Será que minhas idéias serão copiadas ou legitimamente aplicadas nos seus negócios, por estes interessados? Não sei. E isso é um risco, claro.
Mais: o fato de eu não ser um player tornam meus textos, análises e propostas intrinsecamente mais pobres do que as idéias apresentadas pelos players? Talvez, sim, talvez, não. O fato é que eu posso publicar e defender idéias novas, ou seja, meu produto.
Sua empresa também pode, grande ou pequena. Mas para isso você precisa ter algo a dizer. E uma empresa que faz alguma coisa de interesse para alguém sempre terá algo a dizer. Esse é um dos recados do meu livro.
O outro recado é: de que adianta falar ao léu se a conta bancária continua a zero? Como fazer dessa comunicação aparentemente intensa algo minimamente rentável? Isso não sei dizer.
Tem autores que levam anos para ter algum retorno financeiro de seus livros. Alguns nunca conseguem isso. Outros, ficam milionários. Vamos ver o que vai acontecer em, digamos, cinco anos.
outros players
Mais ainda: se eu, que também me envolvi em projetos web ao longo desses últimos cinco anos, fosse besuntado ou resenhado pela mídia tradicional (o que infelizmente ainda não ocorreu), isso transformaria meus pensamentos em algo imediatamente melhor? Pois é...A web te obriga a ter opinião própria e o discernimento necessário para fazer sua empresa se comunicar de forma consistente com seu público, seja qual for.
A web é uma poderosa ferramenta de libertação exatamente porque permite a um grupo infinitamente maior de pessoas se expressar em escala mundial, sem intermediários. Se você quer trilhar um pouco esse universo, consulte a imensidão de blogs que pipocam na web a todo instante.
A própria Internet permite a você ingressar no mundo dos que não são players mas que jogam tanto quanto, pois fazem da rede algo vivo, cheio de pessoas. E areja ainda mais suas idéias sobre comunicação.
o que dizem esses players
O que os players têm a dizer? Bem, custa R$ 30,00 para saber, embora nem tudo possa ser aproveitado.
Como sempre acontece numa coletânea, o resultado é um panorama, que tende a servir um pouco para muitos. É difícil dizer que tudo irá ser importante para você, porque é difícil dizer que você vai precisar de tudo que está ali.
Além do mais, apesar de ser feito por players e tentar, talvez por isso, se mostrar como um caldeirão de inteligência, criatividade e sofisticação, o texto de divulgação vai logo dizendo na orelha e na contra-capa que não quer dar respostas a nada. "A intenção é abrir a discussão..." A série não quer "propor respostas, mas, sim, multiplicar as perguntas para ampliar as possibilidades de compreensão."
Ou, falando de outra forma: depois do banho de água fria que a Internet despejou no mundo, ninguém, player ou não, está muito a fim de afirmar ou defender abertamente alguma posição sólida. Vamos com calma no andor que o buraco é mais embaixo, já dizia o velho marinheiro de velas providencialmente recolhidas...
Demi falou; André avisou
Apesar de ninguém querer mais colocar a mão no fogo, nem tudo está perdido. Alguns artigos do e-Dicas são interessantes e valem ser conhecidos. Gostei do texto do Demi Getschko, por exemplo, um pesquisador de peso, que já citei no capítulo 20 do Matriz, disponível para o grupo beta há um bom tempo.
Demi, atual vice-presidente do Grupo Estado, faz uma análise muito interessante de uma idéia que defendi já há algum tempo no meu estudo: o movimento vivenciado pela web fez com que o pêndulo se movesse para o lado pessimista, escondendo coisas fundamentais que estão revolucionando o planeta. (Isso está comentado na abertura do capítulo 18, intitulado Joio e Trigo na web).
Demi escreve: "Se estávamos, muitos de nós, injustificadamente otimistas com a "Nova Economia", a fase atual, de apatia e descrédito excessivo, igualmente não tem bases concretas...". Eu escrevi (e felizmente registrei na Biblioteca Nacional em janeiro deste ano): "...o estouro da bolha especulativa em torno da Internet criou uma retração, um movimento pendular para o lado oposto, que pode retardar o entendimento de coisas evidentes (...) como o fato de a web continuar a ser uma revolução em trânsito e que está corroendo e reconstruindo o mundo tal qual o conhecemos hoje..."
Outro artigo muito bacana, talvez pela forma simples de colocar as coisas, é oferecido por André Sapoznik, CEO da e-Bit, uma empresa de pesquisa on-line. Ele discorre sobre questões importantes em relação à capacidade da web mensurar o comportamento das pessoas, envereda pelo mundo dos CRM (Customer Relationship Management) mas alerta sobre uma questão fundamental: "...a competência que faz a ponte entre a vasta massa de dados disponíveis (...) é a competência do seu Zé, a sua inteligência aliada à experiência de anos à frente do negócio...".
Ainda bem que eu discuto este aspecto na abertura do capítulo 21 do meu Matrizinho, publicado no site desde final de março, na forma de página especial de divulgação segmentada (www.21.matrizweb.com) e disponível para leitores autorizados por senha desde 22 de abril passado. Lá está escrito: "...sua empresa começa a se comunicar de forma consistente quando cria instâncias internas capazes de entender a informação (...) entender requer pensar (...) empresas de mídia fazem esse trabalho há 400 anos e nunca usaram software para isso..."
Ufa! Ainda bem que eu publiquei essas coisas antes. Agora, quem me lê poderá se dar a chance de acreditar um pouco mais nessas idéias, pois já estão referendadas por players do mercado.
Além de ler estes dois excelentes textos, você poderá encontrar muita informação e discussão relevante em questões jurídicas, por exemplo, um espaço ainda bem pouco fundamentado no Brasil. Do lado tecnológico, você terá um painel interessante sobre o histórico da Internet no país e as perspectivas de futuro segundo Ivan Moura Campos, que é o coordenador do Comitê Gestor da Internet no Brasil e diretor da ICANN, um dos vários comitês internacionais criados para organizar a rede no mundo.
É importante também tomar conhecimento de como esse ferramental poderá servir para tirar este Brasilzão do buraco, através do aprendizado, da discussão comunitária, da difusão rápida e democrática do conhecimento. Esse é o assunto tratado por Gilson Schwartz, coordenador geral do projeto Cidade do Conhecimento, agasalhado pelo Instituto de Estudos Avançados da USP (Universidade de São Paulo) desde agosto de 2000.
...e o Pereira brincou...:)
Se você pensa que só tem assunto sério nesse livro, não perca a descrição dos tipinhos típicos da Internet, na visão de P.J. Pereira, vice-presidente de criação da Agência Click, uma das mais importantes do país, no segmento de desenvolvimento de sites e arredores. P.J. é o único que trouxe um pouco de humor à coletânea. É o único que não se levou tão a sério nessa terra de ninguém que é a web. Provavelmente, será o campeão de audiência do livro.
Se prepare também para encontrar vários textos onde os autores expressam questões muito próximas aos interesses das empresas que representam. Mais ou menos como meu interesse em publicar estes artigos, aqui na área Idéias deste site: de um jeito ou de outro estou sempre tentando vender meu peixe....
Não sei se há projetos de fazer dessa série um livro eletrônico. Pelo jeito, por enquanto é só no velho e bom papel, os átomos que pesam e ocupam espaço na prateleira, mas, puxa, são tão agradáveis de ler... Para comprar seu exemplar direto da fonte, consulte www.camara-e.net. Pode ligar também: x11 3026-9111.
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