FILEOPEN
publicado em 28/FEV/02
Proteja suas idéias e propostas de negócio
Se você procura um jeito de proteger propostas comerciais e outros documentos, tente o FileOpen. A solução de "livro eletrônico" usada pelo Matriz de Negócios Internet é a versão pessoal desse software de encriptação. O que é um livro eletrônico senão apenas uma forma de distribuir informação via suportes digitais?
O FileOpen é uma solução para o PDF (do inglês, portable document format), o padrão sustentado pela Adobe para garantir que uma informação veja vista de forma semelhante em várias plataformas. Portanto, a proteção que o FileOpen permite é restrito a esse universo PDF.
O universo PDF não é pequeno: consegue ser um razoável padrão, aceito em vários ambientes operacionais. Além de orbitar em torno do PDF, o FileOpen também é voltado ao ambiente Windows, pelo menos na versão direcionada ao editor autônomo. As versões mais sofisticadas suportam os macmaníacos, mas a empresa claramente não dá prioridade ao mundo Apple.
Bom para o editor e para a empresa
Apesar dessas restrições, antes de ser opção para o editor pessoal, o FileOpen é uma solução de encriptação de informação. Então ele serve não apenas para escrever livros, como o meu citado acima, mas também para encapsular documentos corporativos para os quais se quer manter alguma privacidade ou garantia de distribuição restrita ou controlada.
Para esse objetivo, a versão pessoal do FileOpen pode ser considerada como opção barata e simples de ser usada. Existem outras possibilidades de encriptação de documentos, mas o diferencial do FileOpen é estar voltado para a área editorial. Com esse enfoque, a empresa conseguiu criar algo flexível, dando oportunidades de montar um centro de documentação para todos os gostos e possibilidades.
A versão integral do software permite ao usuário criar vários níveis de permissão para o documento em questão. Você pode restringir a impressão por quantidade ou para um determinado período. No início de fevereiro (de 2002), a empresa lançou versão para web, o que transformou o FileOpen numa opção completa para distribuição online de informação. Se você tem outras cartas na manga e não conhece o FileOpen vale a pena investigar.
Compare as características de cada versão no seguinte endereço: http://www.fileopen.com/products.html.
O único inconveniente, nessas versões para empresas de grande porte, é o preço: a versão integral custa U$ 2.500,00; a nova versão para a web, U$ 5.000,00, mais manutenção anual de U$ 1.250,00. É bem uma cacetada, para qualquer padrão de empresa brasileira. Mas para multinacionais, brasileiras ou não, ou empresas de maior porte, a opção é relevante.
O site MatrizWeb possui em seu cadastro pessoas da Embraer, Siemens, VolksWagen, Villares, Hidracor, Sulfabril, Petrobras, bem como outras instituições ligadas ou próximas a setores governamentais, como a área de Planejamento, Caixa Econômica Federal, Correios e Sebrae de vários Estados. Todas essas instituições podem fazer bom uso das possibilidades do FileOpen. Isso não precisa envolver documentos realmente críticos e sigilosos, mas aquela documentação que deve correr os vários níveis hierárquicos com alguma segurança ou ser enviada para fornecedores ou clientes.
Essa suposta limitação é apontada pela própria FileOpen. Sua solução não é compor um sistema de encriptação com chave militar. O objetivo é distribuir informação com grande nível de segurança e controle. Mesmo assim é mais importante que o documento possa ser aberto. Não que fique trancafiado. O justo balanço entre esse dois mundos confere ao problema ponto de equilíbrio difícil de alcançar. Acredito no entanto que o FileOpen cumpre bem ao que se propõe: ser ferramenta para o ato de publicar.
Onde está o barato?
FileOpen se torna barato na sua versão pessoal. São U$ 199,00. Pelo que pesquisei há cerca de dois anos, não há nada nessa faixa, com o mesmo nível de compromisso e flexibilidade. É essa versão pessoal que pode ser entendida, mesmo por empresas de grande porte, como opção para distribuir documentos de forma restrita, a um custo baixo.
Isso se aplica, por exemplo, a propostas comerciais. É muito simples, nos níveis de informatização atuais, um concorrente conseguir sua cotação de preços sem que você venha a saber. É só seu cliente passar o arquivo Word para quem você não queria. Alguém pode até recopiar tudo sob um novo logotipo.
Em determinadas situações, talvez seja o caso de considerar algo mais seguro. A versão pessoal do FileOpen, denominada FileOpen Personal Publisher, mesmo com várias restrições em relação às versões superiores consegue manter nível de flexibilidade bastante adequado. Quem já solicitou senha para ler a versão beta deve ter percebido que, passadas as dúvidas iniciais de interface, o procedimento de autorização (a tal senha de leitura) é, na verdade, passo-a-passo bastante simples.
Nem tudo são flores
Não pense, no entanto, que tudo são flores, se decidir utilizar o FOPP. A empresa não dá muita atenção ao mercado formado pelo editor autônomo, o que é explicável em se tratando de um grupo que não é uma Microsoft em tamanho... Sendo uma software house talvez de médio ou mesmo de pequeno porte, para os padrões americanos, o atendimento e suporte dá prioridade para o grupo que opta pelas versões corporativas.
A empresa tem dificuldade de entender que potenciais editores autônomos, como este escriba, formam segmento de mercado muito diferente do cliente corporativo, foco das versão mais robustas. Empresas são milhares. Mas escritores são bilhões, disse um alemão no grupo de suporte e discussão.
A diferença fundamental é que empresas costumam ter alguém mais especializado na área de software. A conversa e os problemas de suporte fluem melhor de especialista para especialista. O editor autônomo não é expert em informática, na maioria das vezes. Ele quer somente publicar suas opiniões de forma pouco mais profissional do que distribuir docs por aí....
Esse descaso se reflete no manual, que, embora bem escrito, possui falhas em detalhes fundamentais. No seu básico, faz o que todo manual faz: explica como funciona. Mas não explica como fazer.
Manual parece ser a última coisa que empresas de software se preocupam em produzir. É um paradoxo, pois sua consulta é a primeira coisa que o cliente faz ao adquirir um programa. Parágrafo correto do ponto de vista técnico pode abrir interpretação errada de como aplicar as coisas na prática.
Por conta disso, certos detalhes às vezes precisam de alguns meses para se entender, se o editor não pode ou não está comprometido em pesquisar a ferramenta a fundo, antes de estabelecer suas estratégias de distribuição. Quem assinou a versão beta do meu livro eletrônico logo no início percebeu isso, pois adotei solução de autorização online que, depois, se revelou complicada para a continuidade do estudo, uma vez que ele está dividido em trechos.
Em contrapartida, qualquer um pode se inscrever no transparente atendimento de suporte, via grupo de usuários, disponível no serviço de grupos do Yahoo. Tão transparente que toda a história da empresa está lá, inclusive brigas e rusgas, o que é bem engraçado.
Atendimento one-to-boing na cabeça
Se aqui no Brasil certas empresas de aviação se gabam de ter canal direto com o presidente, no caso do FileOpen esse canal é mais real. Todas as questões de suporte são, literalmente, respondidas pelo presidente (aliás, isso será tema de comentários na quinta parte do Matriz de Negócios Internet): isso, sim, é que é conhecer sua clientela....O inconveniente é que o presidente é um cara ocupado e as respostas às vezes demoram ou não chegam, simplesmente...
O outro lado da moeda, que poucos percebem nessa história de atendimento one-to-one, é que se o cliente faz uma crítica ela pode ser recebida como questão pessoal... É o que acontece quando você briga com o dono da padaria da esquina.
Já pensou o finado comandante Rolin brigando com você por ter reclamado do serviço de bordo??? Presidente chega de manhã, dá um duro danado para fazer decolar e pousar aviões em segurança, vem o cliente-que-tem-sempre-razão reclamar de tudo e você, responsável por aquilo, precisa respirar dez vezes para não mandar tudo às favas.
Mais: além da barreira escorregadia da língua (o suporte é em inglês; você pode se trair num termo, querendo dizer outro) tem a tal da Netiqueta (o pacto de boas maneiras para quem está em grupos de discussão e similares), para complicar as coisas...Se alguém disse algum dia que a web veio para facilitar a comunicação da humanidade, não conhece um grupo de usuários. Esse mundo global dá um trabalhão....
Atendimento e manuais à parte, para sua empresa ou sua filosofia, vá de FileOpen. Vale o quanto pesa.
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