> CARTA AO LEITOR #51 | << anterior | próxima >>
> publicada em 01/09/2005; atualizada em 26/FEV/08
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Extra, Extra!!! Novo artigo produzido por este sítio em 2006 foi aprovado no IV Simgen. Intitulado “Arquitetura da informação teoriza a web sem dar importância à função editorial”, o texto é uma versão bem-comportada da Carta ao Leitor 59, sobre o mesmo assunto. O paper foi apresentado em setembro de 2006.
MATRIZ DE NEGÓCIOS, LIVRE PARA DOWNLOAD
matriz propõe rever conceito de mercados e empresas verticais
A síntese da matriz de negócios que fundamenta a filosofia de gestão da informação defendida neste sítio MatrizMKT foi revisada e enviada ao III Simgen, simpósio de gestão organizado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
¶ O artigo não foi aceito. O avaliador 2 considerou que não há base teórica para sustentar a proposta. Já o avaliador 1 gostou do que leu: “O assunto é relevante e inovador pelo fato de (...) repensar (...) as teorias consagradas de Kotler et al.”
Pule para estas palavras-chave, neste texto: Simgen; Conselho Regional de ADM/RJ, Conselho Federal de ADM, PPGen, Universidade Federal Rural/RJ, MultiConsultoria, Seropédica, Capes, Anpad
SE VOCÊ UNIFICAR algumas das principais propostas de crescimento de mercado e de definição de unidades de negócio descritas por especialistas notórios vai descobrir que o conceito de empresa “vertical” é uma incoerência. É essa a idéia central defendida pelo artigo enviado para o III Simgen, sob o título de “Matriz de Negócios KLZ e a Inexistência de Empresas Verticais”.
Essa proposta é uma das considerações laterais do estudo original, o ainda inédito livro Matriz de Negócios Internet. Esse estudo já virou e-book por uns tempos neste sítio.
A outra consideração lateral é que a matriz pode servir de guia para organizar a ação empreendedora ao longo de uma cadeia produtiva. No texto original, produzido entre 2001 e 2003 com base nessa idéia matricial concebida em 1996, o objetivo principal foi traçar um panorama estratégico de gestão da informação no que era, em 96 pelo menos, um novo ambiente empresarial, a tal rede internet.
A síntese dessa matriz de três eixos, editada nesse paper para o Simgen como proposta autônoma, resgata a conclusão já ressaltada no original de que existe uma contradição conceitual entre a idéia bastante difundida de empresas ou mercados verticais e os demais conceitos de unidades de negócios e expansão estratégica.
Ao encontrar uma saída para esse dilema, a matriz de negócios abre caminho para consolidar uma série de noções de gestão, que acarretam sensível melhora na organização mental das ações de qualquer empreendimento.
Essa aplicação mental é a linha que conduz o texto integral, no sentido de criar uma estratégia de comunicação para empresas de qualquer porte ou setor. O que parece algo além das possibilidades de uma simples idéia matricial é, na verdade, bastante simples de ser apreendido, mesmo para quem não tem conhecimentos de marketing ou comunicação. Se for o seu caso, vale a pena dar uma lida no estudo.
Simgen? O que é o Simgen?
Esse simpósio Simgen foi uma grata surpresa na minha caixa postal. E posso responder com alguma franqueza: também não sei o que é o evento, esperava ser aprovado para ter uma visão mais detalhada. Não sei como ele é visto pelas instâncias acadêmicas ou privadas, mas o apoio de instituições respeitosas, como o Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro, e sua instância superior, o Conselho Federal, é sempre animador.
Não sei como a mensagem dos organizadores veio na minha direção, mas a oportunidade foi excelente. O simpósio se propôs a avaliar textos enviados livremente, desde que formatados nas condições de apresentação exigidas, baseados em critérios de artigos científicos adotados no Brasil em várias frentes acadêmicas. Esse crivo crítico vale uma aula, ou uma consultoria...:)
Simgen é a abreviação adaptada de “Simpósio de Gestão e Estratégia em Negócios”. O site informa que o evento existe “para a divulgação do que há de mais avançado e inédito em técnicas de gestão, para o desenvolvimento científico e acadêmico da Administração”. Bacana.
Treze áreas temáticas
A partir desse tema tão interessante, me motivei a produzir algum artigo para tentar ser incluído no congresso e nos seus anais. As submissões se encerraram no início de julho de 2005; os trabalhos aprovados foram divulgados no início de agosto.
Foram ao todo 13 áreas temáticas, como administração pública, agronegócios, empreendedorismo, gestão social e ambiental, logística etc. A participação no congresso é cobrada, mas a subscrição de trabalhos foi gratuita e aberta a qualquer pesquisador ou profissional ligado à área de administração ou demais interessados. Uma oportunidade única—em julho, pelo menos.
O site não esclarece, mas, com base nos procedimentos para o pagamento de inscrição, o simpósio é uma iniciativa da empresa MultiConsultoria, com apoio do PPGen, o programa de pós-graduação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
A UFRRJ é sediada na cidade de Seropédica, na entrada da região serrana do Estado. O congresso aconteceu dias 14, 15 e 16 de setembro de 2005, com uma programção que previa mais de 100 temas..
Preparei e enviei os artigos mas apenas aos poucos fui percebendo que o Simgen é um evento ligado ao setor acadêmico-científico, com todo o rigor inerente ao meio. O PPGen, por exemplo, é recomendado pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), além de ser membro da Anpad, Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração.
De certa forma, os dois artigos enviados foram uma tentativa de entrar de gaiato no navio...:) Uma pena, pois não vou poder ter essa desculpa para conhecer a sonora cidade de Seropédica, nome pra lá de curioso.
tudo vale a pena :)
Mas nada é em vão. A experiência foi excelente por vários motivos. Primeiro, porque o simpósio exigia textos em determinado padrão. Segundo, porque realmente houve uma instância de avaliação—e críticas são sempre bem-vindas.
As padronizações, no caso, eram de adequação à estrutura científica, com resumo, palavras-chaves, conclusão e referências. É interessante tentar fazer um texto de viés jornalístico-opinativo entrar nessa roupagem.
Acabei enviando dois textos. Um, para a área temática Administração da Informação; outro, para a área temática Marketing Estratégico. Ambos foram extraídos ou adaptados do e-book Matriz de Negócios... Ambos foram recusados, e viram tubaína livre, aqui neste sítio :)
Um dos textos foi uma reedição do paper A Empresa É a Mídia, enviado para o 6º. Prêmio Estadão. O outro artigo foi este que é assunto desta cartinha.
a construção da matriz
A oportunidade do Simgen (assim como a do Estadão) foi valiosa porque me levou a finalizar uma adaptação da primeira parte do e-book e focar apenas na construção da matriz de negócios propriamente dita, algo inédito até então. A rigor, poucos tiveram acesso ao desenho matricial no qual estão baseados praticamente todos os conceitos de comunicação defendidos neste sítio. O texto cumpre essa função.
Na forma como está, o artigo pode interessar a outros públicos, administração e recursos humanos, por exemplo, não apenas comunicação e gerenciamento estratégico, foco do texto original. É uma maneira de publicar um excerto que “vale por um bifinho”, se a fome do interessado for tanta, mas menos do que a refeição do texto inteiro (quando estiver repaginado e revisado, o texto original deve chegar a mais de 250 páginas, pouco para um livro, mas muito para um PDF).
No Simgen, cada artigo não poderia ser maior do que 15 páginas, no formato padrão de títulos, fonte e entrelinha adotado pelo simpósio. Só isso já representou um belo trabalho de revisão dos textos aproveitados, bem como uma enxugada no original, com o único propósito de fazer caber em 15 páginas... E, seguindo a máxima dos velhos lobos da imprensa, “texto bom é texto cortado”, só por esse exercício o trabalho já foi gratificante.
a voz dos avaliadores cegos
Aparentemente, as inscrições superaram as expectativas dos organizadores: o servidor de e-mail “arregou” duas ou três vezes e as inscrições foram adiadas para dar conta da demanda.
Apesar de alguns atrasos, todos os papers foram avaliados, por duplas autônomas e sem conhecimento do autor, embora os recursos de pesquisa na web praticamente impeçam anonimato de algo já disponível, como foi o caso aqui. Bastou alguém digitar “Matriz de Negócios KLZ” no Google para chegar neste sítio. A partir da web, sigilo de autor é uma quimera...
Mas é na avaliação onde reside o lado mais bacana do trabalho preliminar. Tive a honra de receber dois comentários de avaliadores, dotados de critério científico, um detalhe sem dúvida inexistente no texto original, uma vez que este foi escrito como resultado de uma avaliação pessoal. Mesmo considerando que as críticas negativas podem ser contestadas, valeu o embate.
O avaliador 2 foi implacável com o artigo:
“O objetivo do estudo não fica claro e muito menos claro é a metodologia utilizada. O autor utiliza apenas três livros para construir a sua argumentação teórica, sendo dois deles livros textos. Isso faz com que a argumentação teórica não sustente os argumentos do estudo.”
Já o avaliador 1 foi uma lavação para a alma. Leu o artigo com evidente entusiasmo, chegando ao requinte de ampliar a discussão (que está contida no texto original e que se manteve de forma subliminar na adaptação para o Simgen).
Fiquei contentíssimo com essa avaliação. Ela sinaliza a possibilidade de passar esse texto por um embasamento mais metódico, passo necessário para a correta avaliação acadêmica do estudo, o que não significa que ele não tenha valor tal como está (tubaína também agrada a muita gente, e algumas até viram bebida cult...:).
O avaliador 1 comentou:
“O assunto é relevante e inovador pelo fato de possibilitar a discussão e o repensar sobre as teorias consagradas de Kotler et al. O tratamento do assunto é pontual e percorre a base conceitual necessária para dar conta da proposta.
“A linguagem deveria ser mais cuidadosa em alguns momentos, no sentido de preservar o acadêmico-científico ou escorregar para o jornalístico-opiniático.
“Vale a pena dizer que a discussão sobre a visão horizontal ou vertical do processo produtivo pode também ser encaminhada em outra perspectiva, qual seja, aquela que a orientação vertical privilegia o entendimento de que a empresa é o centro-sistema a partir do qual as demais relações se estabelecem enquanto o entendimento horizontal pressupõe a cadeia de valor, onde os relacionamentos são por processo, e não por função, o que supõe uma lógica processual onde convivem lado a lado utilidades procuradas pelo cliente e tecnologia processual de apoio ao cliente, ambos os assuntos meritórios de novas análises.
“A bibliografia mereceria ser mais abrangente.”
Sem entrar no mérito de que os dois avaliadores chegaram a conclusões opostas (o segundo afirmou que os argumentos do estudo não se sustentam por falta de base teórica; o primeiro disse que o estudo percorre a base conceitual necessária para dar conta da proposta), o que fica é uma grande satisfação pelo fato do estudo ter tido ao menos *uma* avaliação positiva.
E muito positiva, penso eu...
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matriz de marketing, comunicação e negócios [ por Cassiano Polesi ]
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