> CARTA AO LEITOR #57 | << anterior | próxima >>
> publicada em 10/02/2006 | Atualizada em 15/02/2006
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QUEM COME QUEM
STEVE JOBS—QUEM DIRIA?—VIROU MAGNATA DE EMPRESA DE... MíDIA
Empresas de mídia sempre morreram de medo de serem engolidas pelas empresas de tecnologia. A web apenas aumentou esse pavor. Ironia da história: conceitos de mídia é que estão comendo, e reinventando, as empresas de tecnologia.
> Pule para estes tópicos, neste texto: iPod, iTunes, Theodore Levitt, Marketing Myopia, classificados “tijolinhos”, PS sobre o livro inédito Matriz de Negócios
STEVE JOBS—ora, veja—virou magnata de empresa de mídia, ao se transformar no principal acionista de uma empresa gigantesca e poderosa como a Disney. Esse movimento esconde muitas direções, conforme comentário de Carl Howe, uma dica bastante oportuna enviada pelo fotógrafo Marcus Cardoso, na lista radinho de pilha.
Jobs, para quem não sabe, é um dos fundadores da Apple, a empresa de computadores que criou o conhecido Macintosh e ousou concorrer com a então poderosa IBM, por volta dos anos 80 do longínquo século 20, e com a tão ou mais poderosa Microsoft.
Jobs ganhou, perdeu, saiu da Apple que ajudou a criar por decisão do próprio conselho da empresa, foi fazer outro computador potencialmente revolucionário chamado NeXT, perdeu, ganhou, comprou uma empresa de animação chamada Pixar, voltou para a Apple em 97 e praticamente refez a empresa, que agonizava há anos.
Apple, empresa de mídia—ou quase
Agora, a empresa da pequena maçã mordida é uma coisa híbrida, como sempre foi de certa forma, mas não tanto quando hoje: seu maior sucesso recente não é um computador, mas um brinquedo especial, um armazenador de arquivos de diversos formatos chamado iPod, criado basicamente para copiar e tocar música.
A Apple, empresa de computação e software, faz um enorme faturamento vendendo... música, no seu site, através de um codificador denominado iTunes. É certo que isso não faz da empresa uma criadora de mídia, mas a inclui na cadeia que gira nesse entorno, na forma de uma distribuidora, o que não deixa de ser uma ironia histórica.
benção a Levitt?
Se distribuir música não faz da Apple uma empresa de mídia no sentido exato, de lado, com certeza, por outro lado, cria uma distância de seu posicionamento como empresa de tecnologia ou computação. Uma lição de visão de futuro em marketing, coisas que o velho Theodore Levitt já dizia lá no século passado, a partir do seu famoso artigo Marketing Myopia (Miopia em Marketing, na versão em português).
Empresas de mídia por bom tempo passaram a tremer diante do poderio crescente das empresas de software e hardware. Em muitos casos, principalmente a partir da maioridade da web no mundo, as empresas de mídia — jornais, revistas, TVs, rádios etc. — passaram por momentos de aflição explícita. Ainda passam.
velhos classificados “tijolinhos”, novo ouro da web
A ironia é que, ao invés das empresas de computação e software engolirem as empresas de mídia, foi o fazer da mídia que acabou engolindo as empresas de tecnologia. Elas se reinventaram ao longo da última década, com destaque para o Google, principal tutor da solução de criar pequenos anúncios vinculados às suas buscas e serviços, mais uma jogada genial da filosofia da simplicidade estúpida que caracteriza a empresa.
Os “tijolinhos” do Google são iguais aos tais classificados tradicionais, de jornais e até revistas. Bloquinhos de texto que fazem o ouro das empresas de mídia desde os primórdios da imprensa, já a dois ou três séculos atrás. Hoje, é o ouro da web (e odiado pelos “criativos” da publicidade, o que também não deixa der ser irônico).
Decifra-me ou te devoro: o conceito de mídia parece devorar as empresas de tecnologia, não o contrário. O movimento de Jobs, sua história, que culmina no momento com essa aproximação junto à Disney, é um símbolo bastante emblemático.
Job desinventou a poderosa Apple e se reinventou como empresário de mídia. Isso é um sinal interessante dos tempos, vale a pena pensar a respeito.
PS: O livro inédito Matriz de Negócios Internet, que este sítio não se cansa de divulgar, caminha colado a essa questão de entender web como mídia. Valerá a pena dar uma lida quando for lançado, quem sabe neste 2006. Alguns trechos estão livres para download, basta você se cadastrar, se quiser dar uma olhada.
¶ Além dos trechos livres, outro ponto de referência sobre o tema são as teses, publicadas em 2002, por ocasião de um artigo para a revista eletrônica WebInsider.
¶ É por coisas assim que este sítio mantém já há alguns anos na área Serviços uma frase que pode resumir muitas questões sobre o assunto: “A partir da internet, sua empresa, qualquer empresa, é uma empresa de mídia”.
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matriz de marketing, comunicação e negócios [ por Cassiano Polesi ]
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