> CARTA AO LEITOR #59 | << anterior | próxima >>
> publicada em 8/05/06 | Atualizada em 22/OUT/07
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Extra, Extra!!! Versão bem-comportada deste artigo foi aprovada no IV Simgen (setembro de 2006). Mais sobre esse simpósio na carta ao leitor 51.
EXTRA II: O mesmo texto foi selecionado para o 1o. Ebai, 19 e 20 de outubro de 2007, em São Paulo !!! :)
AI... ai, ai: APERTEM OS CINTOS, O EDITOR SUMIU
ARQUITETURA DA INFORMAÇÃO ESQUECE QUE MÍDIA SEM EDITOR NÃO PENSA
Num movimento mundial, a brava gente da arquitetura da informação (AI) simplesmente anula a existência do editor. Série de artigos publicada pelo Webinsider sobre AI esclarece tudo sem citar a importância do editor na cabeceira do processo. Serve para sua loja online (com ressalvas). Para um serviço online (com mais ressalvas). Para uma biblioteca online.
¶ Mas não serve para a organização da comunicação da sua empresa com seus públicos. Não adianta arquitetura se a informação não tem uma cabeça para lhe pensar.
> Pule para estes tópicos, neste texto: AIfIA, Webinsider, Guilhermo Reis, Richard Wurman, Aaron West, Ibosst, WebMonkey, Peter Dijck, Steve Toub, Argus Center, AI para a web (livro do urso branco), Peter Morville, Louis Rosenfeld, Christina Wodtke, Renata Zilze, Luiz Agner, George Orwell, Novilíngua, capítulo 2 do urso branco, AIfIA-PT, Usabilidoido, Fred Van Amstel, Jesse Garret, Elementos da experiência do usuário, nove pilares, Pasquim, Primeira Leitura, Blue Bus.
SE VOCÊ ALGUM dia se preocupou em desenvolver um site para sua empresa ou instituição, provavelmente começou a estudar o problema e, com sorte, tomou conhecimento de um conjunto de questões que podem ser genericamente agrupadas sob o termo de “arquitetura da informação”.
Conhecida pela sigla de IA (a abreviação de “information arquitecture”) ou AI, em português, a discussão é empacotada como uma nova profissão. Aqui no Brasil e no mundo inteiro, pelo visto.
O termo e mesmo a tal profissão ainda passam por intensas discussões conceituais. No nosso Brasil brasileiro, acompanhamos tudo com curiosidade. E, claro, sem questionar muito as coisas.
Caetano já cantou que só é possível filosofar em alemão. Ou em inglês, a julgar pela brilhante frase da respeitada brasileira no cenário da AI mundial, Livia Labate: “I think, therefore IA”. Impossível não trair o trocadilho no português, até pelo tratamento lingüístico oposto que ambas as línguas dão ao “eucentrismo”. Muitos pontos no karma do nosso português surrado, só por esse detalhe...
Lívia coordena a AIfIA-PT, seção para língua portuguesa do então Instituto Asilomar para a Arquitetura da Informação. Integra a lista permanente de seus fundadores e mantém sua participação no conselho do agora renomeado The Information Architeture Institute.
Essa é talvez a mais importante instância de discussão mundial do assunto. O AIfIA foi criado em 2002, na Califórnia, EUA. Estima ter hoje cerca de 400 afiliados, em cerca de 25 países.
Pois bem: se você quer entender um pouco da tal AI, uma boa dica é começar pela excelente série de textos publicados pelo Webinsider sobre o assunto. Tudo na língua de Camões, mas citando apenas autores de terras estrangeiras, o que, aliás, não é mal algum.
Em abril de 2006, Guilhermo Reis fez lá no Webinsider um repasse das definições de AI protagonizadas por “autores importantes”: Ricard Saul Wurman (identificado na Wikipedia como o pioneiro no uso do termo “arquitetos da informação”, numa convenção de... arquitetos); Aaron West e John Shiple (que escreveram didaticamente sobre o assunto no iBosst Journal e no WebMonkey, textos aparentemente já antigos).
Guilhermo passeia também pelas propostas dos consultores Peter Van Dijck, Steve Toub, ambos ligados ao finado Argus Center for Information Architeture. Esse grupo se desfez em 2001.
O Argus incluía os dois gurus principais dessa história, Peter Morville e Louis Rosenfeld. Eles são os autores do famoso livro do urso branco, Arquitetura da Informação para a web (Information Architeture for the World Wide Web). Por fim, inclui Christina Wodtke, talvez a mais radical e desprendida do grupo citado no artigo, a julgar pelo estilo experimental de seu sítio pessoal.
É gente à beça.
*Todos* defendem uma organização estruturalista da informação, o que leva à criação de “sistemas” com fins variados: organização, rotulação, navegação, busca... (OK, sem conhecer em detalhes as propostas de tanta gente, talvez seja uma generalização exagerada, mas é esse o tom geral dos artigos do Webinsider, bem como dos textos originais dos autores citados).
Aliás, a definição ampla citada ainda no Webinsider pela designer Renata Zilse, no seu artigo “AI na prática” dá a pista de onde parte a noção da web estruturalizada. Reforça também a idéia de que o tal arquiteto lida com disciplinas tão amplas como engenharia de sistemas, marketing e usabilidade (esta, sim, atividade com reais raízes na história da informática e do design industrial).
E conclui: “De uma vez por todas, vamos deixar isso claro: um website é um sistema, como afirmam Garret, Rosenfeld, Nielsen e outros.” Arriscada essa afirmação.
A internet é um macroambiente ecológico que permite a existência de vários seres “vivos”. Ursos à parte, costumo reconhecer um tigre branco quando vejo um. Ou um elefante vermelho. Ou uma arara.
O risco de uma definição tão categórica é afirmar que tudo que voa na web é passarinho. Daí a chamar urubu de meu loro é um pulo. Esse é o caso da idéia estruturalizante que predomina em tudo que se escreve sobre o tema.
Wurman é arquiteto. Nielsen é engenheiro. Sem contar com os vários “cientistas da informação”, oriundos da biblioteconomia. Pensar a web vendo semelhanças com edifícios (a influência do olhar arquitetônico), software (a influência da engenharia de sistemas) ou bibliotecas (a influência das ditas ciências da informação) não são meras coincidências. Ninguém inventa nada do zero absoluto.
Nem eu.
Tanto é que todo o blá-blá-blá teórico iniciado no meu livro Matriz de Negócios, divulgado neste sítio, aponta para uma organização que colide com as visões descritas por esses especialistas. Colide porque parte da idéia de que a web quando vestida como veículo de comunicação é... mídia. Se Morvile e Rosenfeld podem valorizar o óbvio, nós também podemos. Ou este escriba, ao menos...
Minha conclusão a partir do meu estudo é que a tal AI não é novidade nas mídias e não existe como algo à parte dos demais atores, mas como uma profissão que sempre existiu em todas as expressões humanas voltadas à comunicação. Toda mídia possui sua própria AI.
O desenho matricial usado no estudo posiciona com relativa facilidade os limites da AI na atividade editorial. Ademais, me baseio entre outras coisas num dos textos incluídos na edição do e-book, de dezembro de 2002: uma entrevista com o jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, hoje na empresa de relações governamentais Patri, sobre a criação do jornal brasileiro Valor Econômico.
O mote desses artigos está publicado na área de sinopses. Basicamente, tentam amparar a tese original.
Vista como software, como uma loja ou serviço, a web pode valorizar a especialização de AI o quanto quiser (embora a visão editorial possa contribuir para o sucesso desses empreendimentos de uma forma ainda pouco estudada). Vista como veículo de comunicação, como mídia enfim, a coisa muda de figura.
Este comentário se resume a esse segmento, o que já representa um mundão de coisas. Mais alto: para simplificar as coisas, TUDO QUE ESTÁ AQUI SE APLICA APENAS A SÍTIOS COM FOCO DE VEÍCULO MÍDIA.
Isso inclui todos os sites corporativos, de empresas de qualquer tamanho ou setor, espalhados pelo mundo e que queiram usar a web como meio de comunicação. O que não é pouco — e é a razão de ser deste sítio, por ora.
Por esse ângulo editorial, o profissional de AI é um diagramador sofisticado. Na tevê ou no rádio, essa função é como a do montador: sua missão é adequar a informação ao meio.
A web é cheia de idiossincrasias, é mais sofisticada do que as mídias tradicionais. O profissional de AI responde a isso, assumindo em parte a visão de um designer industrial, que inclui no seu trabalho facetas da cognição humana e, para isso, usa novas ferramentas e metodologias em função das características sutis de um novo meio.
Mas a sofisticação surge em função do novo ambiente, não é atribuição da atividade em si. Apenas isso. O que não é demérito. Já fui diagramador e hoje me considero um AI, em determinadas situações, embora dificilmente alguém queira me contratar para isso.
Todas as funções são importantes num processo editorial. Nada contra a AI. Tudo contra a tentativa mundial de inflar sua importância no desenvolvimento de uma mídia web. Isso faz diferença.
conceito guarda-chuva
A série do Webinsider não fica por aí, sem perder o amigo, mas sem deixar de perder a piada. Luiz Agner, mestre em design de interfaces pela PUC-Rio e programador visual do IBGE, produziu cinco artigos intitulados “Arquitetura da Informação, que diabo é isso?”, que já dá o tom da coisa.
Vale a pena ler. Por um lado, você terá uma visão bastante ampla do que envolve esse trabalho. Por outro, serve para confirmar a tema desse artigo: o editor sumiu, é bom apertar os cintos, sua viagem na web não será fácil ou barata sem um.
O primeiro artigo do Agner até resvala na questão de que a AI pode ser vista como a junção da tecnologia, do design e do jornalismo. Porém, logo cita mais um especialista, agora Andrew Dillon, da Universidade do Texas-Austin, que propõe uma visão onde a AI se liga a nada menos do que a oito grandes áreas de concentração do conhecimento, passando pelas ciências cognitivas, psicologia, ciências sociais e por aí vai.
É o conceito “guarda-chuva”. Creio que pode ser lido como o conceito “todo mundo é bacana” ou ainda “pra que simplificar se podemos complicar”. É verdade que o próprio Dillon questionava a AI, em artigo de 2001, para o Bulletin da ASIS&T (The Information Society for the Information Age). Intitulado, ora veja, “I think thefore IA?”, o texto já incluía o “guarda-chuva” como solução para seu impasse.
Voltando ao Agner, seus artigos ressaltam o fato de que essa é uma nova profissão. E reforçam a dificuldade atual de se definir afinal o que faz essa “nova” profissão.
Agner adianta também os resultados de uma pesquisa informal com pessoas do meio acadêmico, onde o objetivo básico era identificar o grau de compreensão da AI entre estudantes e professores. O resultado é que ninguém sabe, a AI foi entendida até mesmo como a estrutura de metal que suporta um outdoor.
Muito esforço é investido na tentativa de desvendar as atribuições da AI. Porém, um apelo bastante interessante é a tentativa de vender a idéia de que a AI é algo “a favor” do usuário, como se esse não fosse o esforço de qualquer mídia em qualquer tempo, com qualquer tecnologia. Essa é uma idéia tocante.
o arquiteto que queria ser editor
Os especialistas de além-mar, referendados pelos irmãos tupiniquins, pensam a web como pensam a arquitetura. A visão defendida neste estudo “Matriz... ” pensa a web como mídia. Parece simples, mas não é.
A visão estruturalista serve como uma luva para lojas e demais serviços online. A visão midiática é a única que tem condições de fazer sua empresa se comunicar on-line. Um editor torna um site orgânico, antes de ser mecânico, o que faz toda a diferença e pode fazer diferença também nas lojas e serviços, mas isso é outra história.
O problema das abordagens estruturalistas e sistemáticas é a pouca importância à questão editorial. Ao se guiar por eles, você vai descobrir que — surpresa! — a web não precisa contar com o trabalho do editor, na medida em que a função é praticamente ignorada.
Isso é como orientar a organização de um time de futebol e esquecer de citar a importância do técnico ou do diretor de futebol como dirigente fundamental do processo.
Um palpite: os atuais teóricos de AI não colocam o editor no mesmo grau de importância existente nas demais mídias devido ao clamor das massas em favor do democratismo “wébico”, aquele que coloca tudo em nome do usuário. Ou talvez porque arquitetos e engenheiros queiram assumir o posto, o que não é problema algum.
Mas, aí, os AIs precisarão aprender a ser editores também, o que é bem complexo. Então, a solução é praticamente eliminar a menção ao problema.
Parece a Novilíngua da novela de George Orwell. Suprime-se uma palavra, pois sua existência implica encontrar uma solução para um problema. Suprime-se e, no seu lugar, entra um novo profissional, cheio de glamour, um verdadeiro cientista.
Omitir o editor na condução do processo é um erro conceitual que explode na cara de todos, mais cedo ou mais tarde. Quem realmente decide isso ou aquilo?
Ou não: fica germinando debaixo do tapete para sempre, por que não? Há muita vaidade — e verba — em jogo por aqui... Onde há verba, há gente querendo lugar ao sol.
Assim: teóricos de AI, com o mundo todo indo atrás, se colocam como os principais organizadores da construção de um sítio, o que é *parcialmente* verdadeiro. Talvez a solução mais prática seja apenas questão de rotulagem: onde se lê “arquiteto da informação”, leia-se “editor-chefe” ou “diretor de redação”.
Foi isso que a dupla Rosenfeld & Morville fez no famoso livro do urso branco, bíblia mundial sobre o assunto. Leia o que diz o capítulo 2, onde eles basicamente descrevem as principais atividades do arquiteto de informação:
Só falta propor que a AI faça a luz, os céus, a Terra e a humanidade... Em qualquer veículo de mídia, há séculos, os dois primeiros tópicos acima são funções do editor.
Em alguns casos, o primeiro tópico é parcialmente dividido com o publisher ou o dono do empreendimento. E, sim, os dois últimos tópicos cabem a um grupo de design ou direção de arte ou AI, se preferir.
O AI-deus da definição acima pode ser rotulado como editor, mas trocar etiquetas não costuma dar certo nesses casos. Pelo simples motivo de que a função de um editor é pensar, não apenas um pensar comum, mas um pensar editorial — e nenhum sistema faz isso.
Engenheiros e arquitetos nasceram para pensar o antes, não o depois. Ou o durante. A função editorial de pensar é uma atividade cotidiana, que se faz ao caminhar. O estudo divulgado aqui recobre todo esse processo, também, caso queira mais detalhes.
Essa ausência do editor é uma lebre que já levantei em artigo de 2004, identificado no menu ao lado como Fio de Ariadne, quando prometi voltar ao assunto. Promessa cumprida, com este catatau.
Em maio de 2005, participei de uma discussão na própria lista AIfIA-PT, a partir da pergunta do incansável Irapuan Martinez: “AI pra quê?”. É só consultar. Lá estão vários pontos de vista opostos ao que está aqui, inclusive apartes do próprio Guilherme, citado acima, bem como do frutífero editor do sítio Usabilidoido, Frederick van Amstel (que nos oferece uma pérola do pensamento sistemático, exemplo vivo de como o ambiente molda novas cabeças).
Junto com esta carta 59, pretendo incluir uma edição mastigada da discussão citada acima na nova versão do livro Matriz de Negócios... Felizmente, o terço final do estudo está recuperado de uma pane de disco. A edição segue firme para uma versão 2.0. A parte 3 do estudo deve ficar pronta até final de 2007..
Esse assunto é muito grande para ser tratado neste espaço, que é infinito, mas ninguém tem muito saco para artigos enormes on-line... Mas vamos em frente.
é a idéia que conta
O risco conceitual de querer fazer web sem contemplar a importância do editor advém do fato de que ela nasceu no ambiente da rede internet. Está ligada, assim, à história da informática e da organização da informação, por onde entra a biblioteconomia.
A tal internet, como todo meio de comunicação, se presta a uma infinidade de produtos e serviços. Muitos desses produtos e serviços não possuem caráter midiático. Mas muitos outros possuem, como é o caso de sites corporativos.
Para a AI, um site deve ser fundamentado como um edifício, onde o objetivo do empreendimento precede o alicerce, que precede a estrutura de sustentação e, por fim, o acabamento. Resumidamente, essa é a analogia proposta por um dos maiores gurus da turma, Jesse James Garret, autor do conhecidíssimo Elementos da Experiência do Usuário, ou “Elements of User Experience”, um diagrama que virou livro e best-seller.
Ele é um dos poucos que possui um histórico mais midiádico (diz que desde 95 trabalha com a web, primeiro escrevendo a respeito, depois como desenvolvedor de interfaces). Talvez seja mera coincidência, mas de certa forma ele oferece uma visão mais voltada à produção, o que faz sentido.
Porém, talvez pelo ambiente propício, talvez por convicção mesmo, ele cede à tentação e dá à produção na web a visão de complexidade que tanto agrada aos adeptos do estruturalismo. Isso fica evidente no seu ensaio sobre equipes de produção na web (The Nine Pillars of Sucessful Web Teams). Onde todos são vitais, todos mandam. Difícil dar certo.
Mas um site corporativo não é um prédio. Uma vez construído o tal edifício, o que importa é seu recheio. Uma mídia não tem valor a partir da organização da sua informação, embora isso *tenha* valor.
Uma mídia é importante pelo que propõe editorialmente. E pela sua capacidade de evoluir organicamente sem precisar construir novos alicerces sempre que quiser abrir uma porta ou levantar uma parede.
Um exemplo simples e brasileiro: quem conhece o nosso famoso Pasquim pode pesquisar e entender que sua “terrível” arquitetura de informação não foi empecilho para o jornal revolucionar a história dos veículos de mídia brasileiros. Fazendo jus ao nome, o tablóide genial nunca foi exemplo de design ou organização...
O mesmo pode ser falado da arquitetura da informação de jornais do início do século passado. Olhando com olhos atuais, todos “horríveis”, nem por isso menos importantes no seu tempo.
Na web, para se ter uma dimensão simples da importância da AI basta fazer uma comparação entre um sítio “feio” e “bom” e um do tipo “lindo” e “ruim”. Isso é muito comum: um sítio sobre um assunto qualquer pode ter uma excelente visitação e ser bastante conceituado pelos públicos interessados nos temas tratados ali. Mas isso só ocorre quando possui qualidade e criatividade editorial.
Se um concorrente oferecer uma AI perfeita, mas for oco de idéias, não haverá força no mundo que conseguirá fazê-lo decolar. Com uma edição impecável, boas idéias e propostas editoriais consistentes, mesmo com uma AI de dar vergonha o resultado será bom (embora possa ser muito bom se contar com boa AI e usabilidade, claro).
Por quê? Oras, porque a edição é fundamentalmente mais importante em uma mídia do que qualquer outra coisa, inclusive sua AI.
Exemplos existem aos montes. Ideologias à parte, o sítio brasileiro de análise política Primeira Leitura possui uma visitação de quase dois milhões de page views mensais, segundo seu editor, citando dados de agosto de 2005, sem no entanto apresentar uma interface atraente. E estou sendo bastante parcimonioso nessa avaliação.
Outro exemplo brasileiro é o sítio Bluebus. Mesmo direcionado a um mercado que valoriza a direção de arte (e a AI, por decorrência) sua interface se mantém básica ao longo de muitos anos. E funciona, porque o importante é sua informação.
A AI não é uma nova atividade, quando se fala de mídia na web. Essa atividade sempre existiu. A diferença agora é que a web é uma mídia toda feita sobre um suporte eletrônico. Mas isso é apenas um acidente histórico, um detalhe tecnológico.
As mídias, na sua essência, sempre foram feitas no mundo inteiro, há séculos, segundo uma mesma metodologia de ação e organização. A AI não vai mudar isso.
Infelizmente, a AI se debate mais com caras e bocas de quem tem interesse em inflar uma necessidade ou um orçamento. A estratégia parece ser a de criar factóides sobre uma função importante, claro, mas cuja ação seria muito mais ampla do que as demais.
Esse foco é questionável. Todo editor em todas as mídias possui, como algo inerente à sua função, um discernimento básico da AI intrínseca ao seu próprio veículo.
Um editor de tevê pensa a “AI” de uma reportagem sobre a Copa do Mundo com um prisma diferente da “AI” praticada pelo editor da mídia rádio, que por sua vez não tem nada a ver com a “AI” da mídia jornal; adiante, esta “AI” também não se aplica inteiramente à mídia revista.
A web vai criar editores conscientes da “AI” desse meio. É um aprendizado midiático comum, histórico, existente em todas as mídias. A web não tem nem 20 anos...
A complexidade de cada meio exige profissionais com diferentes capacitações e especializações. E a AI é especialmente complexa. Mas a tentativa do movimento mundial de endeusar a disciplina é um barco furado.
Mas é engraçado de ver. Sente-se na arquibancada, vamos apreciar os blocos passarem. A festa não deixa de ser bonita e ter seu valor. Mas se você é o dono do cheque, bem, sei lá... AI, ai, ai...
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matriz de marketing, comunicação e negócios [ por Cassiano Polesi ]
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